A poesia existe porque o humano não suporta
que tudo seja literal
Se tudo fosse literal,
a dor teria manual,
o amor seria contrato,
a morte um dado estatístico.
Mas a palavra falha.
E falhando, abre fenda.
Na fenda,
não há resposta —
há ritmo.
Não diz “é isso”.
Diz “talvez”.
Diz “quase”.
Diz “ainda”.
A poesia não explica a ferida.
Ela fica ao lado.
Quando o mundo exige clareza,
ela gagueja.
Quando pedem sentido,
ela respira.
Porque o humano
não aguenta viver
num mundo
onde tudo fecha.
A poesia existe
para manter o mundo
ligeiramente
aberto.
Comentários
Postar um comentário