A Mulher Não Existe
Não existe como ideia inteira.
Não cabe no nome.
Não se fecha no conceito.
Existe no gesto que escapa,
na fala que falha,
no corpo que não obedece ao desenho.
A mulher não existe
porque o real não existe pronto.
Porque o desejo não aceita molde.
Porque o olhar nunca alcança tudo.
O que existe é a falta.
O excesso.
O resto que não se deixa capturar.
Existe a singularidade —
uma a uma,
sem garantia,
sem total.
Dizer que não existe
não é negar.
É afirmar o impossível
de reduzir.
A mulher não existe
porque ninguém existe inteiro.
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