A Fonte de Duchamp
Um urinol sobre o chão, silêncio de desafio,
o ordinário elevado a altar do olhar.
Assina-se a ironia, dissolve-se o fio
que separa arte de lixo, de banal.
O gesto é radical, o riso é ácido,
a mão que escolhe é mais poderosa que a mão que cria.
A lógica da estética se curva, contorcido,
diante do objeto que nega a própria poesia.
Não há mármore, nem bronze a sustentar
o peso da contemplação — só o instante,
a decisão, o choque de pensar.
E o mundo gira, perplexo e distante,
sobre a fonte que jorra nada e tudo,
onde o conceito é a obra, e a obra é absurdo.
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