4'33
Nada acontece.
E isso é tudo.
O ar continua.
O corpo pesa.
O tempo passa
sem pedir licença.
Alguém tosse.
Uma cadeira reclama.
O coração insiste
em marcar presença.
Não há obra
para se proteger atrás.
Não há som
para obedecer.
Só o mundo
fazendo o que sempre fez
enquanto você
não pode fingir
que não escuta.
O silêncio não é vazio.
É excesso
sem moldura.
Quatro minutos
e trinta e três segundos
onde nada começa
e nada termina.
A música falha.
O sentido cai.
O gesto permanece.
E quando acaba,
não fica melodia.
Fica a suspeita
de que
sempre foi assim.
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