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Desce de trem a Serra do Mar — sol e neblina —,

trilhos riscam o verde em linha mansa;

no vidro, a luz hesita e se inclina,

pingos desenham mapas de lembrança.


Chega a Morretes em passo de andarilho,

chapéu gasto, mochila sem história;

um intérprete verte o som em trilho,

tradução baixa, quase sem memória.


Almoça o barreado — barro, tempo e brasa —,

ninguém percebe o nome que não fica;

à tarde dorme: “Jack Frost” na casa rasa,

luz pelas frestas, quieta e oblíqua.


À noite, a chuva — em galeria de arte com bar —,

bebe e observa o mundo sem se dar.


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Pela Serra do Mar desce o trem — sol e neblina —,

trilhos riscando o verde em curva lenta;

no vidro, a luz hesita e se inclina,

e o mundo em suspensão se reinventa.


Abismos respiram sob a folhagem,

pontes de ferro cruzam o vazio;

um rio surge e some na passagem,

como um pensamento em desvario.


O apito fere o ar, breve e profundo,

e ecoa entre encostas adormecidas;

cada túnel apaga e acende o mundo,

num jogo de sombras repetidas.


E ao fim da descida — sem alarde —,

o tempo chega outro, mais lento, mais tarde.

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